Sejam Bem Vindos!

Bem Vindos ao Magia da Literatura Infantil



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domingo, 26 de junho de 2011

Sussurradores: Uma noite especial na Universidade


                              
                                         Se as coisas são inatigíveis...Ora!
                                Não é motivo para não quere-las
                                Que tristes seriam os caminhos
                                Se não for a mágica presença das estrelas.
                                                                                      Mário Quintana

Linda não, agora imagine ouvi-la sussurrada ao seu ouvido por alguém com um objeto como este...




As reações foram as mais diferentes possíveis, de surpresa, encantamento, felicidade, medo e até rudeza, no entanto, a medida que sussurávamos também distribuíamos um informativo sobre o que é o manifesto dos sussurradores e qual é a  nossa intenção ao fazê-lo...
O grupo francês Les Souffleurs soprou no ouvido de Giselly Lima, que soprou em nossos ouvidos: a gente pode enternecer o mundo sussurrando poesias.
"Comandos Poéticos" é a performance mais famosa dos Les Souffleurs e foi apresentada na cidade de São Paulo, na Virada Cultural de 2009, quando sussurraram poesia em praças e bibliotecas.
Como o grupo Les Souffleurs, usamos um tubo para sussurrar os textos. Optamos por reaproveitar tubos de papelão que, na nossa proposta, se tornam um objeto lúdico, belo e que recupera o gosto das brincadeiras simples de antigamente. Propomos-nos a usar a poesia como delicado presente, que se leva da boca ao ouvido. Aos poucos, vamos incluindo outras gentes que se disponham a interromper a tagarelice do mundo com segundos de poesia. Seguindo nessa proposta, tivemos momentos maravilhosos de muita descontração. Entramos em salas que estavam em aula, abordamos pessoas na praça, no ponto de ônibus, visitamos outro bloco de estudo e sussurramos ao ouvido de quem estava saindo, enfim foi fantástico, os mais inibidos usavam máscaras para não deixa que a timidez atrapalhasse aquele momento, ficando bem visível a empolgação de todos.
O que ficou, além das boas lembranças, foi o sentimento de gratidão a professora Giselly Lima por não ter desistido de nós, apesar de durante o processo não termos demonstrado muito entusiasmo e pelas experiência de leitura que só irão enriquecer muito mais nossa formação e ampliar nosso olhar como professores no futuro.  Obrigado!!!

Boas lembranças...Uma triste realidade atual.

Ainda com o objetivo de analisar  o uso do novo acervo escolhido pelo PNBE em escolas da rede pública, visitamos a biblioteca  de uma instituição municipal que está localizada no bairro da Santa Lúcia em Maceió-AL.
Escolhemos esta escola porque foi nela que vivi minhas primeiras experiência com a leitura (Elisabete), e apesar de não ter na época ( a 11 anos atrás) uma sala ampla para leitura, existia um bom acervo com gêneros variados e sempre ficava uma professora responsável que nos emprestava os livros. Eu lembro que eram poucas as crianças que se interessavam em visitar a biblioteca, mas eu tinha muita curiosidade de encontrar histórias que meu pai contava, como também, ficava muito entusiasmada em levar uma nova história para casa e ler para minha mãe que não sabe ler e para meus irmãos menores. Um conto que me lembro de ter levado para casa várias vezes foi o gato de botas...No entanto ao chegar na escola observei que a sala de leitura agora mais ampla tinha se transformado num depósito de objetos inúteis, de livros encaixotados, em uma sala de reforço pedagógico e que a literatura infantil a qual eu tanto me interessava reduziu-se a uma pequena estante com livros misturados e sem supervisão,tivemos a oportunidade de conversar com a coordenadora da escola e ela falou da falta de pessoal para gerenciar o acervo e do desinteresse da secretaria de educação em investir em pessoal para esse setor.
"Já solicitamos várias vezes alguém  para ficar na sala de leitura e eles não enviam ninguém, ou seja, só que acreditam que o professor está trabalhando se estiver na sala de aula."
O acervo não está atualizado, e não existe nenhum projeto visado o incentivo e o acesso aos livros pelos alunos. É uma realidade que se retrata também na pesquisa feita pelo PNBE.
Para ver e pensar!!!

http://www.escolalivredejornalismo.com.br/wp/wp-content/gallery/taguatinga/img_0009.jpg

Um conto que marcou...

 O Gato de Botas (Charles Perrault)
 
Era uma vez um moleiro muito pobre, que tinha três filhos. Os dois mais velhos eram preguiçosos e o caçula era muito trabalhador.
Quando o moleiro morreu, só deixou como herança o moinho, um burrinho e um gato. O moinho ficou para o filho mais velho, o burrinho para o filho do meio e o gato para o caçula. Este último ficou muito descontente com a parte que lhe coube da herança, mas o gato lhe disse:
__Meu querido amo, compra-me um par de botas e um saco e, em breve, te provarei que sou de mais utilidade que um moinho ou um asno.
Assim, pois, o rapaz converteu todo o dinheiro que possuía num lindo par de botas e num saco para o seu gatinho. Este calçou as botas e, pondo o saco às costas, encaminhou-se para um sítio onde havia uma coelheira. Quando ali chegou, abriu o saco, meteu-lhe uma porção de farelo miúdo e deitou-se no chão fingindo-se morto.
Excitado pelo cheiro do farelo, o coelho saiu de seu esconderijo e dirigiu-se para o saco. O gato apanhou-o logo e levou-o ao rei, dizendo-lhe:
__Senhor, o nobre marquês de Carabás mandou que lhe entregasse este coelho. Guisado com cebolinhas será um prato delicioso.
__Coelho?! - exclamou o rei.
__ Que bom! Gosto muito de coelho, mas o meu cozinheiro não consegue nunca apanhar nenhum. Diga ao teu amo que eu lhe mando os meus mais sinceros agradecimentos.
No dia seguinte, o gatinho apanhou duas perdizes e levou-as ao rei como presente do marquês de Carabás.
Durante um tempo, o gato continuou a levar ao palácio outros presente, todos dizia ser da parte do Marquês de Carabás.
Um dia o gato convidou seu amo para tomar um banho no rio. Ao chegarem ao local o gato disse ao jovem:
__ De hoje em diante seu nome será Marquês de Carabás. Agora, por favor, tire sua roupa e entre na água.
O rapaz não estava entendendo nada, mas como confiava no gato atendeu seu pedido.
O gato havia levado rapaz no local por onde devia passar a carruagem real.
esperto gato ao ver uma carruagem se aproximando começou a gritar:
__Socorro! Socorro!
Que aconteceu? - perguntou o rei, descendo da sua carruagem.
Os ladrões roubaram a roupa do nobre marquês de Carabás! - disse o gato.
__ Meu amo está dentro da água, ficará resfriado.
O rei mandou imediatamente uns servos ao palácio; voltaram daí a pouco com um magnífico vestuário feito para o próprio rei, quando jovem.
Contos, fabulas e historinhas: O Gato de Botas
O dono do gato vestiu-se e ficou tão bonito que a princesa, assim que o viu, dele se enamorou. O rei também ficou encantado e murmurou:
__Eu era exatamente assim, nos meus tempos de moço.
O rei convidou o falso marquês para subir em sua carruagem.
__ Será que a vossa majestade nos dá a honra de visitar o palácio do Marquês de Carabás? – perguntou o gato, diante do olhar aflito do rapaz
O rei aceitou o convite e o gato saiu na frente, para arrumar uma recepção par ao rei e a princesa.
O gato estava radiante com o êxito do seu plano; e, correndo à frente da carruagem, chegou a uns campos e disse aos lavradores:
__O rei está chegando; se não lhes disserem que todos estes campos pertencem ao marquês de Carabás, o rei mandará cortar-lhes a cabeça.
De forma que, quando o rei perguntou de quem eram aquelas searas, os lavradores responderam-lhe:
__Do muito nobre marquês de Carabás.
__Que lindas propriedades tens tu!- elogiou o rei ao jovem.
O moço sorriu perturbado, e o rei murmurou ao ouvido da filha:
__Eu também era assim, nos meus tempos de moço.
Mais adiante, o gato encontrou uns camponeses ceifando trigo e lhes fez a mesma ameaça: __Se não disserem que todo este trigo pertence ao marquês de Carabás, faço picadinho de vocês.
Assim, quando chegou a carruagem real e o rei perguntou de quem era todo aquele trigo, responderam:
__Do mui nobre marquês de Carabás.
O rei ficou muito entusiasmado e disse ao moço:
__ Ó marquês! Tens muitas propriedades!
O gato continuava a correr à frente da carruagem; atravessando um espesso bosque, chegou à porta de um magnífico palácio, no qual vivia um ogro muito malvado que era o verdadeiro dono dos campos semeados. O gatinho bateu à porta e disse ao ogro que a abriu:
__Meu querido ogro, tenho ouvido por aí umas histórias a teu respeito. Dizei-me lá: é certo que te podes transformar no que quiseres?
__ Certíssimo - respondeu o ogro, e transformou-se num leão.
__ Isso não vale nada - disse o gatinho. - Qualquer um pode inchar e aparecer maior do que realmente é. Toda a arte está em se tornar menor. Poderias, por exemplo, transformar-te em rato?
__ É fácil - respondeu o ogro, e transformou-se num rato.
O gatinho deitou-lhe logo as unhas, comeu-o e desceu logo a abrir a porta, pois naquele momento chegava a carruagem real. E disse:
__ Bem vindo seja, senhor, ao palácio do marquês de Carabás.
__ Olá! - disse o rei
__ Que formoso palácio tens tu! Peço-te a fineza de ajudar a princesa a descer da carruagem.
O rapaz, timidamente, ofereceu o braço à princesa e o rei murmurou-lhe ao ouvido:
__ Eu também era assim tímido, nos meus tempos de moço.
Entretanto, o gatinho meteu-se na cozinha e mandou preparar um esplêndido almoço, pondo na mesa os melhores vinhos que havia na adega; e quando o rei, a princesa e o amo entraram na sala de jantar e se sentaram à mesa, tudo estava pronto.
Depois do magnífico almoço, o rei voltou-se para o rapaz e disse-lhe:
__ Jovem, és tão tímido como eu era nos meus tempos de moço. Mas percebo que gostas muito da princesa, assim como ela gosta de ti. Por que não a pedes em casamento?
Então, o moço pediu a mão da princesa, e o casamento foi celebrado com a maior pompa. O gato assistiu, calçando um novo par de botas com cordões encarnados e bordados a ouro e preciosos diamantes.
E daí em diante, passaram a viver muito felizes. E se o gato às vezes ainda se metia a correr atrás dos ratos, era apenas por divertimento; porque absolutamente não mais precisava de ratos para matar a fome...

Contos, fabulas e historinhas: O Gato de Botas

Disponível em: http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=17

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Uma biblioteca viva


http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=382772
 A escola pública que tivemos o prazer de visitar está localizada no bairro do Farol em Maceió-AL, é da rede estadual e atende crianças do ensino fundamental I nos turnos matutino e vespertino.
A instituição tem uma ampla sala de leitura e com um rico acervo  infanto-juvenil e para professores incluindo os novos propostos pelo PBNE. O gerenciamento desse acervo é feito por uma "professora que por motivo de saúde está afastada da sala de aula" e, esse ano, com o auxilio de uma bolsista do PIBID da UFAL que está desenvolvendo um projeto de intervenção na sala de leitura
O projeto está focado no prazer da leitura a partir do contato com os diversos gêneros textuais, para tanto, todos os dias uma turma tem uma hora na sala de leitura e desenvolve atividade com um determinado gênero tendo a oportunidade de conhecê-lo, criar algo baseado nele e deixar exposto para apreciação dos demais alunos. Outro momento muito o qual as crianças tem acesso a livros é na hora do intervalo, nesse momento eles tem liberdade de escolher seu material de leitura ou pesquisa, mas contando sempre com a orientação da professora e da bolsista sobre os cuidados com o material e como usá-los em uma biblioteca. Como também conta com um  recurso que nos chamou a atenção;  a biblioteca móvel, com a qual, o professor pode selecionar os livros que achar interessante e criar um momento especial de leitura dentro da sala de aula.
Fiquem atentos, pois estaremos sempre postando algo sobre essa escola e os projetos que nela estão sendo desenvolvidos.


Você conhece o PIBID? Que tal seguir o link para conhecer?
http://www.ufal.edu.br/ufal/noticias/2011/04/nova-edicao-do-pibid-seleciona-cem-instituicoes/
http://sites2.ufal.br/prograd/programas-especiais/PIBID

PNBE

O Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) promove o acesso à cultura e o incentivo à formação do hábito da leitura nos alunos e professores por meio da distribuição de acervos de obras de literatura, de pesquisa e de referência. Desde que foi criado, em 1997, o programa vem se modificando e se adequando à realidade e às necessidades educacionais. Sob a gestão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), tem recursos financeiros originários do Orçamento Geral da União e da arrecadação do salário-educação.

O PNBE atende, em anos alternados, à educação infantil e ao primeiro segmento do ensino fundamental e ao segundo segmento do ensino fundamental e ensino médio. As obras distribuídas incluem textos em prosa (novelas, contos, crônica, memórias, biografias e teatro), obras em verso (poemas, cantigas, parlendas, adivinhas), livros de imagens e livros de histórias em quadrinhos.

Com o objetivo de compreendermos melhor o programa e avaliar na prática o funcionamento das bibliotecas de escolas públicas  em Maceió, realisamos algumas visitas. Faremos a descrição desses momentos nas próximas postagens,  baseando-nos na proposta de trabalho feita em sala pela professora Giselly.
Para conhecer melhor o Programa Biblioteca da Escola é só seguir o link:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12368&Itemid=574

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Por onde começar?


Na literatura nada se cria tudo se transforma. Todo texto criado é produto de experiências de leitura do escritor somadas a sua criatividade, No entanto, existem limites na hora de se produzir um texto literário, pois é necessário ele ter sentido para quem ler, ter coerência e respeitar o conhecimento prévio  do leitor. Se o autor contradisser demais as expectativas do leitor, esse rejeita a obra.
No Brasil ao final do século XIX um novo gênero se introduz por um público que começa a se formar, são os primeiros livros infantis escritos e publicados por brasileiros, atendendo as solicitações indiretamente formuladas pelo grupo social emergente. O problema é que até aquele momento  não se escrevia livros para crianças, então, as soluções seriam:
Traduzir obras estrangeiras;
Adaptar para as crianças obras destinadas a adultos;
Reciclar material escolar;
Escrever histórias de tradição popular.
Os pioneiros da literatura infantil brasileira foram Carl Jansen, Figueredo Pimentel e Olavo Bilac e dando sucessão a eles, temos Monteiro Lobato que devido seu patrimônio literário, ainda hoje se lê e relê.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O pescador e a sua mulher

Era uma vez um pobre pescador e sua mulher. Eram pobres, muito pobres. Moravam numa choupana à beira-mar, num lugar solitário. Viviam dos poucos peixes que ele pescava. Poucos porque, de tão pobre que era, ele não possuía um barco: não podia aventurar-se ao mar alto, onde estão os grandes cardumes. Tinha de se contentar com os peixes que apanhava com os anzóis ou com as redes lançadas no raso. Sua choupana, de pau-a-pique era coberta com folhas de palmeira. Quando chovia a água caía dentro da casa e os dois tinham de ficar encolhidos, agachados, num canto.
Não tinham razões para serem felizes. Mas, a despeito de tudo, tinham momentos de felicidade. Era quando começavam a falar sobre os seus sonhos. Algum dia ele teria sorte, teria uma grande pescaria, ou encontraria um tesouro - e então teriam uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente e galinhas no quintal. Eles sabiam que a casinha azul não passava de um sonho. Mas era tão bom sonhar! E assim, sonhando com a impossível casinha azul, eles dormiam felizes, abraçados.
Era um dia comum como todos os outros. O pescador saiu muito cedo com seus anzóis para pescar. O mar estava tranqüilo, muito azul. O céu limpo, a brisa fresca. De cima de uma pedra lançou o seu anzol. Sentiu um tranco forte. Um peixe estava preso no anzol. Lutou. Puxou. Tirou o peixe. Ele tinha escamas de prata com barbatanas de ouro. Foi então que o espanto aconteceu. O peixe falou. "Pescador, eu sou um peixe mágico, anjo dos deuses no mar. Devolva-me ao mar que realizarei o seu maior desejo..." O pescador acreditou. Um peixe que fala deve ser digno de confiança. "Eu e minha mulher temos um sonho", disse o pescador. "Sonhamos com uma casinha azul, jardim na frente, galinhas no quintal... E mais, roupa nova para minha mulher..."
Ditas estas palavras ele lançou o peixe de novo ao mar e voltou para casa, para ver se o prometido acontecera. De longe, no lugar da choupana antiga, ele viu uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente, e galinhas no quintal e, à frente dela, a sua mulher com um vestido novo - tão linda! Começou a correr e enquanto corria pensava: "Finalmente nosso sonho se realizou! Encontramos a felicidade!"
Foi um abraço maravilhoso. Ela ria de felicidade. Mas não estava entendendo nada. Queria explicações. E ele então lhe contou do peixe mágico. "Ele me disse que eu poderia pedir o que quisesse. E eu então me lembrei do nosso sonho..." Houve um momento de silêncio. O rosto da mulher se alterou. Cessou o riso. Ficou séria. Ela olhou para o marido e, pela primeira vez, ele lhe pareceu imensamente tolo: "Você poderia ter pedido o que quisesse? E por que não pediu uma casa maior, mais bonita, com varanda, três quartos e dois banheiros? Volte. Chame o peixe. Diga-lhe que você mudou de idéia."
O marido sentiu a repreensão e sentiu-se envergonhado. Obedeceu. Voltou. O mar já não estava tão calmo, tão azul. Soprava um vento mais forte. Gritou: "Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!" O peixe apareceu e lhe perguntou: "O que é que você deseja?" O pescador respondeu "Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido uma casa maior, com varanda, três quartos e dois banheiros!" O peixe lhe disse: "Pode ir. O desejo dela já foi atendido." De longe o pescador viu a casa nova, grande, do jeito mesmo como a mulher pedira.
"Agora ela está feliz", ele pensou. Mas ao chegar à casa o que ele viu não foi um rosto sorridente. Foi um rosto transtornado. "Tolo, mil vezes tolo! De que me vale essa casa nesse lugar ermo, onde ninguém a vê? O que eu desejo é um palacete num condomínio elegante, com dois andares, muitos banheiros, escadarias  de mármore, fontes, piscina, jardins. Volte! Diga ao peixe desse novo desejo!"
O pescador, obediente, voltou. O mar estava cinzento e agitado. Gritou: "Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!" O peixe apareceu e lhe perguntou: "O que é que você deseja?" O pescador respondeu "Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido um palacete num condomínio elegante..." Antes que ele terminasse o peixe disse: "Pode voltar. O desejo dela já está satisfeito."
Depois de muito andar - agora ele já não morava perto da praia -  chegou à cidade e viu, num condomínio rico, um palacete tal e qual aquele que sua mulher desejava. "Que bom", ele pensou. "Agora, com seu desejo satisfeito, ela deve estar feliz, mexendo nas coisas da casa." Mas ela não estava mexendo nas coisas da casa. Estava na janela. Olhava o palacete vizinho, muito maior e mais bonito que o seu, do homem mais rico da cidade. O seu rosto estava transtornado de raiva, os seus olhos injetados de inveja.
"Homem, o peixe disse que você poderia pedir o que quisesse. Volte. Diga-lhe que eu desejo um palácio de rainha, com salões de baile, salões de banquete, parques, lagos, cavalariças, criados, capela."
O marido obedeceu. Voltou. O vento soprava sinistro sobre o mar cor de chumbo. "Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!" O peixe apareceu e lhe perguntou: "O que é que você deseja?" O pescador respondeu "Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido um palácio com salões de baile, de banquete, parques, lagos..." "Volte!", disse o peixe antes que ele terminasse. "O desejo de sua mulher já está satisfeito."
Era magnífico o palácio. Mais bonito do que tudo aquilo que ele jamais imaginara. Torres, bosques, gramados, jardins, lagos, fontes, criados, cavalos, cães de raça, salões ricamente decorados... Ele pensou: "Agora ela tem de estar satisfeita. Ela não pode pedir nada mais rico."
O céu estava coberto de nuvens e chovia. A mulher, de uma das janelas, observava o reino vizinho, ao longe. Lá o céu estava azul e o sol brilhava. As pessoas passeavam alegremente pelo campo.
"De que me serve este palácio se não posso gozá-lo por causa da chuva? Volte, diga ao peixe que eu quero ter o poder dos deuses para decretar que haja sol ou haja chuva!"
O homem, amedrontado, voltou. O mar estava furioso. Suas ondas se espatifavam no rochedo. "Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!" - ele gritou. O peixe apareceu. "Que é que sua mulher deseja?", ele perguntou. O pescador respondeu: "Ela deseja ter o poder para decretar que haja sol ou haja chuva!"
O peixe falou suavemente. "O que vocês desejavam era felicidade, não era?" "Sim", respondeu o pescador. "A felicidade é o que nós dois desejamos." " Pois eu vou lhes dar a felicidade!" O pescador riu de alegria. "Volte", disse o peixe. "Vá ao lugar da sua primeira casa. Lá você encontrará a felicidade..." E com estas palavras desapareceu.
O pescador voltou. De longe ele viu a sua casinha antiga, a mesma casinha de pau-a-pique coberta de folhas de coqueiro. Viu sua mulher com o mesmo vestido velho. Ela colhia verduras na horta. Quando ela o viu veio correndo ao seu encontro. "Que bom que você voltou mais cedo", ela disse com um sorriso. "Sabe? Vou fazer uma salada e sopa de ostras, daquelas que você gosta. E enquanto comemos, vamos falar sobre a casinha branca com janelas azuis...E depois vamos dormir abraçados" .
Ditas essas palavras ela segurou a mão do pescador enquanto caminhavam, e foram felizes para sempre.

Roda de leitura

A proposta desta semana foi roda de leitura. Cada aluno deveria trazer um conto com a qual se identifica, falar sobre sua experiência e recomendá-lo aos demais colegas. Na ocasião ouvimos a leitura de um conto trazido por uma das colegas  que falava de um pescador e sua mulher. Gerou-se então, uma discussão  em torno da atitude da mulher, a presença do maravilhoso no conto e os vestígios de outras histórias presentes nele, em seguida, a professora  leu , o homem da barba azul.

O BARBA AZUL

Era uma vez um homem muito rico, possuía muitas propriedades, todas com belíssimos palácios, na cidade e no campo. Tudo que tinha dentro de seus palácios era belo e suntuoso, suas baixelas eram de ouro e prata, as cadeiras eram estofadas com tapeçarias, as carruagens recobertas de ouro. Mas apesar de toda sua riqueza ele tinha uma tristeza, sua barba era azul, e isso o tornava tão feio que todas as mulheres e moças fugiam quando se deparavam com ele.
Nas redondezas vivia uma nobre dama que tinha duas filhas e quatro filhos, e ninguém sabia dizer qual delas era mais bela. O homem pediu a essa senhora que lhe concedesse a mão de uma de suas filhas, e deixou que ela mesma escolhesse qual das duas lhe daria. O pedido não agradou a nenhuma das duas, que ficaram empurrando o pedido de uma para a outra, pois nenhuma delas queria se casar com um homem de barba azul. O que tornava a situação mais difícil e as moças mais descontentes é que este homem já se casara muitas vezes antes e ninguém sabia o que fora feito das antigas esposas.
Para conquistar sua amizade, Barba Azul levou as moças, os irmãos e a mãe, algumas amigas delas e mais alguns rapazes conhecidos na cidade para uma estadia em uma de suas casas de campo. Ficaram lá por mais de uma semana, e para sua surpresa divertiram-se muito, fizeram incansáveis passeios, pescarias, caçadas, piqueniques, danças, banquetes e ceias. À noite pregavam peças uns nos outros e era tão divertido que mal viam a noite passar. Por fim foi tudo tão agradável que a filha caçula, Leonora, começou a se envolver com ele, achando-o um perfeito cavalheiro, um homem maravilhoso, e que aquela barba não era assim tão feia. Assim que retornaram à cidade o casamento foi realizado.
Um mês se passou na mais perfeita calma e alegria até que um dia Barba Azul disse à mulher que precisava viajar para tratar de negócios importantes na cidade próxima. Demoraria pelo menos seis semanas. Insistiu que ela se divertisse na sua ausência. Se lhe agradasse poderia receber suas amigas e passar com elas um tempo na casa de campo.
Entregou à esposa uma grande argola cheia de chaves e foi descrevendo a porta que cada uma delas abria: “ Estas são as chaves dos dois grandes depósitos, estas são as dos meus cofres-fortes onde estão guardados todo nosso ouro e nossa prata, esta outra é onde estão as baixelas de ouro e prata que não são de uso diário, essa a do quarto onde guardo todas as jóias, e aqui está a chave mestra de todos os aposentos do palácio. Por último tem essa chave pequenina, é a chave do gabinete da grande galeria do térreo. Você é livre para abrir qualquer porta e para entrar onde quiser, mas proíbo-lhe terminantemente de entrar nesse quartinho e, se abrir nem que seja uma pequena fresta dessa porta nada neste mundo poderá protegê-la da minha ira.
Leonora prometeu que obedeceria estritamente as suas ordens, que não precisava se preocupar. Barba Azul lhe deu um beijo de despedida, entrou na carruagem e partiu rumo aos seus negócios.
As amigas da recém-casada, ansiosas por conhecer o fausto do palácio não pensaram duas vezes quando esta lhes fez o convite. Enquanto o marido estava por lá elas não ousavam se aproximar, pois aquela barba azul as amedrontava. Sem perda de tempo começaram a explorar tudo que encontravam, os salões ricamente decorados, os gabinetes, os quartos, os guarda-roupas cada um mais suntuoso que o outro, ficando boquiabertas diante de tanta riqueza e de tanta beleza, tapeçarias, camas, sofás, pratarias, cristaleiras e cristais, tecidos, baixelas, louças das mais finas, etc.Havia espelhos em que a pessoa podia se ver da cabeça aos pés. Alguns espelhos tinham moldura de vidro, outros de prata, outros eram bisotados, e todos eram os mais bonitos e magníficos que já tinham visto.
As convidadas estavam para morrer de inveja da amiga. Esta, porém, não conseguia se divertir com nada, nem com a companhia das amigas, nem com sua vida luxuosa, pois em seu pensamento só uma coisa existia: abrir o gabinete do andar térreo. Estava tão atormentada por sua curiosidade que, sem nem se aperceber que era uma falta da anfitriã abandonar suas convidadas sozinhas, desceu por uma escadinha secreta, e tão depressa que por duas ou três vezes quase rolou pelos degraus abaixo. Por fim chegou à porta do gabinete e parou, considerando quais poderiam ser as conseqüências de eu ato, desobedecendo a veemente proibição do marido. Mas a tentação era grande demais e a venceu. Tremendo de emoção pegou a chavezinha e abriu a porta.
Não conseguia enxergar nada, as janelas estavam fechadas. Aos poucos seus olhos foram se acostumando à escuridão e começou a perceber que o assoalho estava todo recoberto por sangue coagulado, e que naquele sangue se refletiam os cadáveres de muitas mulheres mortas, as antigas esposas do Barba Azul, dependuradas ao longo das paredes, degoladas e enfileiradas num espetáculo macabro e aterrador.
Ficou paralisada de pavor e, ao puxar a chave da fechadura, esta caiu de sua mão trêmula. Respirou fundo, apanhou a chave, trancou a porta e subiu ao seu quarto para recobrar a calam. Esforço em vão, seus nervos estavam em frangalhos, naquele momento nada conseguiria tranqüilizá-la. Foi aí que olhou a pequena chave do gabinete macabro e notou que ela ficara manchada de sangue.Esfregou-a com seu lenço duas ou três vezes, mas o sangue não saia, parecia estar impregnado na chave. Tentou lavá-la e esfregá-la com areia, sabão e com todo material de limpeza que encontrou, mas o sangue não saía, pois a chave era encantada e não havia meio comum que pudesse remover àquela mancha. Bastava limpar o sangue de um lado da chave que ele reaparecia no outro lado.
Naquela mesma noite Barba Azul chegou de viagem dizendo que seus negócios se resolveram antes do que ele pensava, auferindo grandes lucros. Leonora fez tudo que pôde para lhe demonstrar que estava radiante com seu rápido regresso. Na manhã seguinte ele pediu as chaves de volta e ela as devolveu, mas suas mãos tremiam tanto que facilmente ele entendeu tudo que acontecera na sua ausência.
“Onde está a chave do gabinete”, perguntou, “por que não está junto com as outras ?”
“Acho que a esqueci lá em cima, na mesinha do quarto”.
“Não esqueça de devolvê-la logo mais”, disse Barba Azul.
Leonora tentou o quanto pode esquivar-se de devolver a chave, até que não foi mais possível. O marido recebeu a chave e após examiná-la muito bem perguntou à mulher:
“Por que a chave está manchada de sangue?”
“Não tenho a menor idéia”, respondeu a pobre mulher, trêmula e pálida.
“Não tenho a menor idéia”, replicou Barba Azul, “mas eu tenho”. Você me desobedeceu e entrou no gabinete! Pois agora entrará ali e não mais sairá, você tomara seu devido lugar ao lado das damas que lá já estão.
Em prantos a pobre se atirou aos pés do marido implorando seu perdão, jurando arrependimento. Teria comovido um rochedo o seu sofrimento. Mas Barba Azul tinha o coração mais duro que um rochedo.
“Você precisa morrer”, o perverso lhe disse, “e imediatamente”.
“Já que não há escapatória”, ela respondeu, fitando-o diretamente nos olhos, “me dê algum tempo para que eu possa fazer minhas orações”.
“Dou-lhe um quarto de hora”, disse o marido, “mas nem um segundo a mais.”.
Quando ficou sozinha chamou Ana, sua irmã mais velha que estava passando uns dias na casa, contou o que sucedera e disse: “minha irmã, suba no alto da torre e veja se nossos irmãos estão chegando. Eles me prometeram me fazer uma visita ainda hoje. Assim que os vir faça um sinal para que se apressem.”.
Muito aflita Ana subiu rapidamente ao alto da torre e de vez em quando a pobre Leonora desesperada perguntava: “Ana, querida irmã, não está vendo ninguém chegar?”.
E a irmã respondia: “Só vejo o sol ofuscante e o capim verdejante”.
Nesta hora Barba Azul, visivelmente transtornado e com um cutelo nas mãos, gritou para a mulher a plenos pulmões:
“Desça já, ou subirei aí para buscá-la”.
“Um momento mais, por favor, ainda não acabei de rezar”, a mulher lhe respondeu, e logo perguntou baixinho:
“Ana, querida irmã, não está vendo chegar ninguém?”
E a irmã respondeu:
“Só vejo o sol ofuscante e o capim verdejante”.
“Trate de descer depressa, ou subirei aí para buscá-la”.
“Já vou! Respondeu Leonora, e implorou:
“Ana, querida irmã, não está vendo chegar ninguém?”
“Estou vendo”, ela respondeu, “vejo quatro cavaleiros que vêm para este lado, mas ainda estão muito longe...Deus seja louvado!” ela exclamou aliviada. “São os nossos irmãos. Estou fazendo todos os sinais que posso para que acelerem o passo.”
Barba Azul completamente enfurecido se pôs a gritar tão alto que toda a casa tremeu. A infeliz esposa desceu e jogou-se a seus pés, debulhando-se em lágrimas, toda descabelada.
“Nada que você faça poderá me comover”, disse Barba Azul, “Você tem de morrer.”
Com uma das mãos agarrou-a pelos cabelos e com a outra ergueu o cutelo no ar, pronto para lhe cortar a cabeça. Leonora voltou-se para ele com os olhos repletos de lágrimas e suplicou que lhe desse um momento para que se preparasse.
Com um olhar duro e a voz mais dura ainda ele respondeu: “Não. Recomende a alma a Deus, pois sua hora chegou.” E erguendo o braço...
Nesse instante bateram à porta com tanta força que Barba Azul ficou simplesmente paralisado. A porta foi arrombada com violência e por ela entraram quatro soberbos cavaleiros que, empunhando a espada, correram diretamente para Barba Azul. Reconhecendo os irmãos de sua mulher, dois dragões, os dois outros mosqueteiros, ele saiu correndo para salvar a própria pele. Mas os quatro irmãos, ágeis e bem treinados, o perseguiram tão de perto que facilmente o agarraram antes que esse pudesse chegar à escada. Atravessaram seu corpo com suas espadas e o deixaram cair morto. Leonora completamente extenuada mal teve forças para se levantar e abraçar os irmãos.
Como Barba Azul não tinha herdeiros sua mulher recebeu a posse de todos os seus bens. Ela empregou parte de sua fortuna para casar a irmã Ana com um jovem fidalgo que a amava há muito tempo. Parte empregou para ajudar seus quatro irmãos a ficarem muito bem de vida e para a sua mãe, que embora nobre tinha alguns problemas financeiros. Com toa sua família amparada e feliz Leonora tratou enfim de seu próprio casamento com um nobre muito direito que conheceu e por que se apaixonou, e que por também amá-la muito a fez esquecer tudo o que sofrera nas mãos do Barba Azul.

A princesa advinha

Era uma vez uma princesa que vivia em seu castelo e que dizia que só casava com o homem que adivinhasse suas três perguntas e que ela não adivinhasse as perguntas, as três perguntas dele, caso contrário ia para forca.
No inicio da história, foi um rei, o capitão da guarda e um ladrão, resultado, foi o rei para forca, foi o capitão e ladrão foi enforcado.
Um certo dia, um pobre homem chamado louva Deus, pois tinha um livro de orações e que tinha uma vaquinha, foi até a sua vizinha e disse:
Vizinha a senhora cuida da minha vaquinha que eu vou até o castelo, a vizinha ficou muito contente, pois tinha certeza que a vaquinha ia ser sua, mas logo ficou triste e pensou se ele desistir e voltar do meio do caminho, teve uma idéia colocou veneno numa bolacha e deu ao louva Deus, ele desconfiou da vizinha e jogou a bolacha, veio um cachorro comeu e morreu, veio sete urubus, comeu cachorro e também morreram, o louva Deus seguiu o seu caminho, quando começa a chover e ele vai para debaixo de uma árvore, forra sua manta, teve fome, quando dirrepente cai alguns ovos,mas não tinha lenha para fritar os ovos, o louva Deus pega seu livro de orações faz com ele um fogo, frita os ovos e mata sua fome e prossegue seu caminho, subindo as montanhas quando teve sede, dirrepente olha para o lado e ver um pé de côco, sobe tira um côco e mata sua sede, quando anda um pouco percebe que já está a porta do castelo, lembrou que não teve tempo para pensar nas perguntas que ira fazer para a princesa, mas entra assim mesmo.
Chegando ao castelo a princesa faz a1ª pergunta:
A princesa vem com um inseto preso entre as palmas das mãos e perguntou:
O que tenho entre as mãos?
O louva Deus responde: louva a Deus agora está apertado, a princesa perguntou como você adivinhou, ele respondeu, isso não foi nada, ela foi lá dentro pintou um quadro de preto cobriu e veio até a ele e perguntou: o que tenho aqui? Louva Deus responde o quadro agora está preto, ela outra vez pergunta: Como você adivinhou, outra vez ele responde isso não foi nada.
A princesa indignada pediu para que seus criados pegassem merda de boi e colocassem sobre uma bandeja de prata e cobrisse e pediu para que passassem no meio do salão, quando foi passando a bandeja o pobre homem viu que morte era chegada quando gritou desesperadamente: Vocês não sabem que eu sou adivinho de merda! Ela tornou a perguntar como foi que você acertou e ele mais uma vez respondeu: Isso não foi nada.
Resumindo a história o louva Deus usou como enigma o que ocorreu no trajeto até chegar ao castelo e a princesa não conseguiu adivinhar, casaram e dias depois foram visitar a sua vizinha que caiu dura e morreu quando viu o louva Deus com a princesa, e o louva Deus junto com a princesa viveram felizes para sempre!